domingo, 20 de outubro de 2013

Há futuro para os cristãos no Oriente Médio?

Desde o início da Primavera Árabe, regimes ditatoriais caíram e governos islâmicos tomaram seus lugares. Todo esse cenário de protestos deixou muitos cristãos do Oriente Médio preocupados sobre o que o futuro tem reservado no que diz respeito ao aumento da perseguição
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Uma das formas de entender o dinamismo cultural do Oriente Médio e suas inquietações é através da presença das comunidades cristãs. O presidente da Portas Abertas Estados Unidos, David Curry disse, "nas ultimas décadas temos visto a porcentagem da população cristã do Oriente Médio cair de e 20% para 4%".

Isto não é resultado apenas do alarmante sofrimento dos cristãos, mas também das mudanças drásticas que estão acontecendo na região. "Em uma ou duas décadas, a menos que façamos algo sobre isso, é possível que o cristianismo seja extinto em seu local de nascimento".
A realidade é que no Paquistão, Egito, Síria, Palestina, Afeganistão e Iraque – territórios onde o cristianismo existe há dois mil anos, a presença cristã é cada vez mais identificada como algo nocivo ao Islã. Curry explica: "Algumas discriminações são mais amenas. Algumas se tornam perseguições intencionais contra os cristãos. Em outros casos, os ataques e assassinatos deliberados estão levando os cristãos a fugirem de suas casas. Eu acredito que a população cristã está sendo expulsa do Oriente Médio".
Independente disso, a atual repressão comunica claramente que os seguidores de Cristo não são bem-vindos como membros da sociedade. Se nada mudar, permanece a questão: há futuro para os cristãos no Oriente Médio?
Em 27 de setembro, um grupo de acadêmicos, políticos e parlamentaristas (todos cristãos) se reuniram em Amã, Jordânia, para tentar encontrar uma resposta para esta pergunta. A reunião foi intitulada "Os cristãos do Oriente à luz da Primavera Árabe".
O grupo discutiu sobre as leis da terra, sobre as mudanças nas leis e práticas de liberdade religiosa, o impacto disso no Corpo de Cristo e finalmente, expectativas para o futuro.
Desde que as constituições nesses países (exceto Líbano) presumem que "O Islã é a religião do Estado", a Sharia (lei islâmica) tem sido fonte da legislação destes Estados. Curry disse, "basicamente é ilegal você decidir por si mesmo no que quer crer. Isso tem implicações perigosas para aqueles cristãos que vieram de outra religião e que consideram que devem ser reconhecidos como seguidores de Jesus. Em muitos casos, isso o leva diretamente para a morte".
O "genocídio religioso" é sistemático e tem proteção legal. Hoje, mais de um milhão de cristãos fugiram do Iraque. Meio milhão de cristãos deixaram a Síria, onde havia cerca de 2 milhões. No Egito resta uma Igreja remanescente. No Líbano, a ameaça é óbvia.
Curry observa que mesmo com o impacto óbvio do Islã no Corpo de Cristo "o cristianismo não está à beira da extinção no Oriente Médio porque perdemos a batalha das ideias. Estamos à beira da extinção no Oriente Médio porque estamos sendo perseguidos, porque estamos sendo expulsos de nossas casas, somos alvejados até a morte".
Quais são as formas possíveis de lidarmos com o que se tornou uma das maiores catástrofes humanitárias do nosso tempo? Curry leva a questão mais adiante.
  • "Seja consciente. Primeiro de tudo, eu acho que há um elemento nesses grupos extremistas, que por falta de uma palavra melhor, devo chamar de ‘imperialista’. Eles acreditam que podem impor sua fé ao seu povo. Eles farão isso em seus países e depois tentarão fazer nos nossos".
  • "Seja ativo. Leve em consideração que o evangelho continua se expandindo. Compartilhe essa situação com os membros de sua igreja."
  • "Ore. Há uma premissa das Escrituras que diz, ‘quando um membro do Corpo sofre, todo o Corpo sofre com ele’. Neste momento há membros do Corpo que estão sofrendo; não poucos, mas milhares de pessoas que não têm liberdade de analisar e escolher por si próprios como podem compartilhar sua fé".
FonteMission Network News
TraduçãoMarcelo Peixoto

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cristianismo em perigo de extinção na sua terra natal

Historiadores do Reino Unido afirmam que os cristãos do Oriente Médio são espécie em extinção. Numa avaliação apocalíptica do agravamento da situação política na região, um painel formado por especialistas forneceu um grande número de evidências e estatísticas que apontam para o fim das nações daquela região que estão sob os ataques do Islã militante
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O renomado historiador britânico Tom Holland afirmou, recentemente, num encontro em Londres, que o mundo está assistindo a extinção efetiva do cristianismo no seu local de nascimento.
"Em termos de uma escala envolvendo a hostilidade e rivalidade sectárias, nós estamos testemunhando algo na proporção do horror da Guerra Europeia dos Trinta Anos", disse Holland. "Esse é o clímax de um processo de pulverização ao longo do século XX – A efetiva extinção do cristianismo em sua terra natal".
O evento, intitulado "Relatório do Oriente Médio: Por que a verdade está sendo perdida", procurou respostas para a cobertura "anêmica" dos ataques ocorridos contra os cristãos no Egito em 14 de agosto.
"Destruição premeditada de dezenas de igrejas antigas, mosteiros, escolas, orfanatos e centros de negócios não foram noticiadas por diversos dias em todo o ocidente", disse Nina Shea, diretora do Instituto Hudson de Liberdade Religiosa em Washington.
Após a vitória islâmica nas várias eleições durante a primeira revolução em 2011, os jornais americanos, perguntando como isso mudaria o Egito, sugeriram apenas que as mulheres fossem proibidas de usar roupas provocativas, e a cidade de Sharm el-Sheikh fecharia como um ponto turístico.
Isso foi "absolutamente trivial", afirmou Shea. A perseguição aos cristãos, que tiveram uma igreja fundada por Marcos em Alexandria, foi a mais grave desde o século XIV, com "níveis horríveis de violência". "Foi a pior perseguição em 700 anos contra a minoria de cristãos do Oriente Médio". A mídia falhou em não fazer as perguntas mais básicas, enfatizou Shea. "Por que esses cristãos foram selecionados, qual o significado e propósito dos ataques?"
Uma igreja do quarto século, que estava na lista para se tornar um patrimônio mundial da UNESCO, foi destruída e designada como um espaço de oração muçulmano. A igreja era 200 anos mais antiga que as estátuas de Bamiyan, no Afeganistão, mas a grande mídia ignorou o fato. No entanto, havia provas suficientes para mostrar que a violência era parte de um plano para "expulsar os cristãos, para aterrorizá-los e fazê-los sair do país", acrescentou ela.
Holland afirmou que o Egito não era uma nação em desenvolvimento, que precisava de ajuda para emergir como uma democracia ocidental, mas foi o primeiro Estado do mundo, com uma civilização em um nível como a da China e Irã. No tempo do Império Romano, foi o celeiro de pão para o mundo. Agora é o maior importador de trigo do planeta.
O líder cristão Angaelos falou em detalhes sobre as distorções da cobertura da mídia que, segundo ele, noticiou meras pressuposições agravando a situação no local. Ele afirmou que alguns relatos chegaram a sugerir que o Egito estaria passando por uma guerra civil. "O Egito nunca terá uma guerra civil", acrescentou Angaelos. "A sua demografia não se encaixa nesse cenário".
Ele apontou que os muçulmanos muitas vezes protegeram os cristãos. A igreja, junto com a sociedade civil, era contra os extremistas. Muitos muçulmanos se voltaram contra a Irmandade Muçulmana quando ficou claro que não havia nenhum plano econômico em suas reivindicações.
Durante o evento em Londres, em resposta a uma pergunta da plateia, ele concordou que ocorreu um "silêncio" das igrejas, governos e até mesmo dos muçulmanos ocidentais após os ataques, o que, segundo ele, serviu para desmentir a propaganda islâmica de que o Ocidente estava conspirando com os cristãos.
Nina Shea também falou sobre a Síria. Ela afirmou que cristãos sírios foram "pegos no meio do conflito". E acrescentou: "Facções do Jihad e da Al-Qaeda estão, deliberadamente, atacando os cristãos. Quando eles conquistam uma cidade, implantam tribunais e mini Estados islâmicos". Os cristãos estão fugindo. Concedida a opção de serem mortos ou irem embora, eles fogem. Se ficarem, o imposto Jizya é cobrado. Caso não possam pagar, são mortos.
Shea disse que os cristãos não se atrevem a se refugiar nos campos geridos pelos rebeldes, pois seriam recrutados a lutar. O conhecido "Plano Damasco", elaborado pelo Exército Livre Sírio para após o término da guerra, incluía assassinatos como forma de vingança contra aqueles que não se opuseram a Assad.
RedaçãoDr. Jenny Taylor, diretor executivo do Lapido Media, empresa que organizou o evento "Relatório do Oriente Médio: Por que a verdade está sendo perdidajuntamente com a política externa da Sociedade Henry Jackson.
FonteWorld Watch Monitor
TraduçãoFelipe Augusto - ANAJURE

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

11 cristãos são mortos a cada hora por causa de sua fé


11 cristãos são mortos a cada hora por causa de sua fé11 cristãos são mortos a cada hora por causa de sua fé
Os senadores norte-americanos Rand Paul e Ted Cruz têm feito duras cobranças ao presidente Obama. A principal delas para que ele se pronuncie sobre o que acreditam ser “guerra global contra os cristãos”.
Rand Paul é direto: “Dezenas de milhões de muçulmanos radicais estão travando uma guerra mundial contra o cristianismo” e os EUA, considerados a maior nação cristã do mundo, precisam intervir. Em seguida citou diante da imprensa uma lista de recentes ataques contra cristãos na Síria, Egito, Paquistão, Guiné, Tanzânia, Quênia, Indonésia e Líbia, entre outros.
Seu desejo é que Obama faça exigências de maior liberdade religiosa especialmente em países que recebem fundos dos americanos, como o Paquistão, onde um muçulmano pode ser punido com a morte caso se converta. Encerrou dizendo “não se engane, nós ajudamos a estabelecer esses novos regimes islâmicos”, uma menção clara à situação no Afeganistão e Iraque, onde os EUA durante anos municiou os extremistas que hoje combate. Para ele, a situação é ainda mais séria na Síria, onde o exército americano arma os rebeldes aliados da Al-Qaeda. “O dinheiro dos nossos impostos nunca deve ser usado para sustentar uma guerra contra os cristãos”, encerrou.
Ele tem o apoio integral de Ted Cruz, que é filho de um pastor. Ambos são fortes pré-candidatos a presidente nas próximas eleições. No mesmo encontro, durante o Values Voter Summit dia 11 de outubro em Washington, Cruz discursou contra a politica externa de Obama e de suas medidas que cerceiam a liberdade do culto dos cristãos dentro de seu próprio país.
No início deste mês, o jornalista John Allen Jr. lançou seu livro mais recente, “The Global War on Christians” [A Guerra Global Contra os Cristãos]. A maior parte de suas colocações são no mesmo tom das declarações dos senadores.
Allen decidiu detalhar o que chama de “onda de violência global” que fez dos cristãos hoje em dia o grupo mais perseguido por causa da religião.
“A defesa dos cristãos perseguidos deveria ser a prioridade mundial número um na cauda dos direitos humanos”, defende Allen. Para ele, a imprensa mundial tem evitado noticiar muita coisa por causa de “outros interesses”.
O jornalista afirma que, segundo suas pesquisas, durante a primeira década do século 21, mais de 100 mil cristãos foram assassinados por ano. Ou seja, são 11 pessoas martirizadas por hora. Segundo grupos não religiosos que lutam pelos direitos humanos, cerca de 80% das violações à liberdade religiosa hoje em dia são contra os cristãos.
Allen insiste que é preciso “acabar com o silêncio a respeito da perseguição anticristã”. Para ele, essa situação existe em todos os continentes, ainda que em intensidade diferente. Deixa claro ainda que os conflitos não ocorrem apenas entre cristãos e muçulmanos, radicais hindus também matam na Índia e no sul da Ásia a justificativa de alguns massacres é meramente politica.
Em seu livro, ele ressalta a existência da perseguição que envolve violência e assassinatos, cujo exemplo mais extremo são os campos de concentração da Coreia do Norte. Porém, não esquece de mostrar como existe um movimento secular no Ocidente que se opõe a todo tipo de manifestação do pensamento cristão, em especial por sua luta contra o aborto e o casamento gay. Com informações US News, The Christians e Spectator.
http://noticias.gospelprime.com.br/11-cristaos-mortos-hora/

domingo, 13 de outubro de 2013

Pode um Estado moderno ser governado pela lei islâmica?

Uma nação deve ser definida por língua e território, governo ou fé? A análise a seguir foi escrita pelo filósofo Roger Scruton e publicada na BBC Brasil em 15 de setembro. Segundo Scruton, para entendermos o que está acontecendo no Oriente Médio hoje, precisamos voltar ao período logo após a Primeira Guerra Mundial
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Nos anos pós-Primeira Guerra Mundial, o Império Austro-Húngaro tinha sido destruído e das ruínas emergiram vários Estados-Nação. Esses países - entre eles, Áustria, Hungria, Romênia e a antiga Tchecoslováquia - não eram criações arbitrárias. Suas fronteiras refletiam divisões antigas de língua, religião, cultura e etnia. E embora esse arranjo tenha se desfeito no decorrer de duas décadas, isso se deveu, em parte, à ascensão do nazismo e comunismo - ambas ideologias de conquista.

Hoje, os Estados-Nação da Europa Central parecem naturais e inquestionáveis. São entidades políticas estabelecidas, cada uma com um governo eleito por cidadãos que vivem em seus solos.

Quando o Império Austro-Húngaro desmoronou, o mesmo ocorreu com o Império Otomano, cujos territórios abrangiam o Oriente Médio e o norte da África. Os aliados vitoriosos dividiram o Império Otomano em pequenos Estados. Mas a maioria desses novos países só conseguiu existir como democracias durante breves momentos.

Muitos vêm sendo governados por clãs, facções religiosas, famílias ou militares, normalmente - como é o caso da Síria - com o auxílio de violenta supressão de qualquer grupo que questione o poder estabelecido.

As pessoas com frequência explicam a relativa ausência de democracia no Oriente Médio argumentando que a divisão atual da região em territórios não tem qualquer relação com a identidade dos povos que neles vivem. Em alguns países, o arranjo funcionou.
TurquiaAtaturk, um general do Exército turco, foi capaz de defender a porção do império unida pelo idioma turco e transformá-la em um Estado moderno baseado no modelo europeu. Mas em outros países que resultaram do arranjo, muitos habitantes tinham sua identidade definida com base em religião - em detrimento de outros valores.

Hassan al-Banna, fundador da Irmandade Muçulmana em 1928, disse a seus seguidores que sua maior prioridade era reunir os muçulmanos do mundo em um Estado islâmico supranacional - ou Califado.

A imposição de fronteiras nacionais sobre povos que se definem em termos religiosos resulta no tipo de caos que temos observado no Iraque, onde sunitas e xiitas brigam pelo poder. E resulta também em um caos ainda maior, que observamos agora na Síria. Ali, uma facção islâmica minoritária - os alauítas - vem mantendo um monopólio sobre o poder desde a ascensão da família Assad.

Europeus, em contraste, tendem a definir a si próprios em termos nacionais. Em situações de conflito, é a nação que precisa ser defendida. E se Deus um dia ordenou de outra forma, então é hora de ele mudar de ideia.

Entre os muçulmanos, no entanto, esse tipo de pensamento é inaceitável. A religião islâmica se baseia na crença de que Deus criou uma lei eterna e cabe a nós nos submeter a ela. Isto é o que a palavra Islã significa: submissão.

O Islamismo sunita era a religião oficial dos otomanos. Nenhum outro tipo de Islamismo era reconhecido formalmente. Judaísmo, zoroastrismo e facções do cristianismo eram tolerados. Mas a história oficial, ao longo de vários séculos, era a de que o império era governado pela Sharia - a lei sagrada do Islã - acrescida de um código civil e pela lei doméstica de várias facções permitidas.

Ataturk aboliu o Sultanato e estabeleceu um novo código civil, baseado em precedentes europeus. E criou uma constituição que expressamente rompia todos os vínculos com a lei islâmica, proibia formas islâmicas de vestimenta, bania a poligamia, impunha um sistema laico de educação e urgia lealdade à terra turca como dever primário de todo cidadão turco.

Em qualquer crise, o cidadão deveria se identificar primeiro como turco. Só depois como muçulmano. Ataturk também autorizou o consumo de álcool, para que o povo turco pudesse brindar à sua nova condição da maneira preferida pelo general.

Ataturk remodelou a Turquia como um país aberto e próspero, que nada devia ao mundo moderno. Porque foi transformado em uma nação definida por língua e território, não por um partido ou fé.

O sufrágio universal para adultos de ambos os sexos foi introduzido na Turquia em 1933. E o país continua a ser governado por um sistema legal cuja autoridade emana de legisladores humanos - e não de revelações divinas.

Ao mesmo tempo, a população turca é quase inteiramente muçulmana e sente uma inevitável nostalgia pelo estilo de vida puro e bonito evocado pelo Alcorão - livro sagrado dos muçulmanos. Existe, portanto, uma tensão entre o Estado laico e os sentimentos religiosos do povo.

Ataturk tinha consciência dessa tensão e apontou o Exército como o guardião da constituição laica. Ele impôs um sistema de educação para oficiais do Exército que os tornaria instintivamente opostos ao obscurantismo do clero. O Exército seria um advogado do progresso e da modernidade, colocando o patriotismo acima da piedade nos corações do povo. Em obediência ao papel que lhe foi atribuído, o Exército turco interveio várias vezes, desde então, para preservar a concepção de Ataturk.

Os militares tomaram o controle, por exemplo, em 1980, quando a União Soviética tentava subverter a democracia turca e nacionalistas e esquerda brigavam nas ruas. O Exército também fez sua presença clara em anos recentes, quando o governo do primeiro ministro Recep Erdogan retrocedeu alguns passos, em direção aos antigos valores islâmicos.

O Partido da Justiça e Desenvolvimento de Erdogan é, em princípio, laico. Mas o primeiro ministro é um homem do povo e um muçulmano devoto, que acredita que o Alcorão contém um guia único para a vida humana, inspirado por Deus.

Ele não está feliz com uma constituição que coloca o patriotismo acima da devoção religiosa e que faz o Exército - e não a mesquita - o guardião da ordem social. O primeiro ministro já colocou um grande número de importantes oficiais do Exército no tribunal, acusados de subversão. Alguns estão na cadeia, em prisão perpétua.

Os julgamentos foram denunciados como inválidos, mas os que fazem as denúncias correm o risco de ser acusados de subversão. Jornalistas que se opõem às políticas de Erdogan tendem a acabar na cadeia. Jornais que criticam o primeiro ministro se veem às voltas com exigências absurdas do fisco ou recebem multas gigantescas. E protestos populares são esmagados com tanta força quanto seja necessário. Na Turquia, hoje, fazer oposição está ficando perigoso.

O caso turco ilustra vividamente o caso de que democracia, liberdade e direitos humanos não são uma coisa única, e, sim, três. Erdogan tem muitos seguidores. Venceu eleições três vezes, com maioria significativa. Mas liberdades elementares tidas como normais no Ocidente vêm sendo prejudicadas - e não reforçadas - nesse processo.
EgitoO exemplo egípcio é ainda mais pertinente. A Irmandade Muçulmana sempre teve como alvo ser um movimento de massa, procurando se estabelecer com o apoio da população. Mas seu mais influente líder, Sayyid Qutb, denunciou a ideia de "Estado laico" como uma espécie de blasfêmia, uma tentativa de usurpar a vontade de Deus passando leis que têm meramente uma autoridade humana.

Qutb foi executado pelo presidente Nasser, que assumiu o poder após um golpe militar. Desde então, a Irmandade Muçulmana e o Exército vivem em constante disputa. A Irmandade quer estabelecer um governo populista e ganhou uma eleição que, em sua interpretação, autorizou a transformação do Egito em república islâmica.
Os pôsteres dos seguidores de Morsi não advogavam democracia ou direitos humanos. Eles diziam: "Todos nós estamos com a Sharia". Em resposta, os militares disseram: Não. Apenas alguns de nós estão. Então, por que um Estado moderno não pode ser governado pela lei islâmica? Esse é um assunto polêmico, sobre o qual estudiosos formularam muitas opiniões.
Lei humana X lei divinaAqui - válida ou não - está a minha: As escolas originais da jurisprudência islâmica, que surgiram durante o reinado do Profeta em Medina, permitiam que juristas adaptassem as leis às necessidades da sociedade, em transformação constante. Esse processo de reflexão é conhecido como ijtihad, ou esforço.

Mas esse processo parece ter sido interrompido no século 8, quando foi determinado pela escola teológica dominante naquele período que todos os assuntos importantes já estão definidos e que o "portão da ijtihad está fechado".

Tentar implementar a Sharia hoje cria o risco de que um sistema de leis criado para governar uma comunidade desaparecida há muito tempo seja imposto sobre a população, sem que esse sistema possa ser adaptado às circunstâncias mutáveis da vida humana. Resumindo: a lei laica se adapta, a lei religiosa meramente resiste.

Além disso, como a Sharia não se adaptou, ninguém sabe realmente o que ela quer dizer. Ela ordena que matemos adúlteros a pedradas? Alguns dizem que sim, outros dizem que não. Ela nos diz que investir dinheiro para receber juros é proibido? Alguns dizem que sim, outros dizem que não.

Quando Deus faz as leis, as leis se tornam tão misteriosas quanto ele. Quando nós fazemos as leis, e as fazemos para nossos próprios fins, podemos estar certos do seu significado.

A questão, agora, é "quem somos nós?". Que maneira de definir a nós mesmos reconcilia eleições democráticas com oposição verdadeira e direitos individuais? Esta, a meu ver, é a questão mais importante a desafiar o Ocidente hoje.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

“Não ore para que a perseguição, no Quirguistão, pare”

Foram exatamente essas as palavras que a equipe da Portas Abertas Brasil ouviu na manhã dessa sexta-feira (11). Quem as proferiu foi um pastor quirguiz. Entre outros detalhes, ele contou que há lugares onde se um cristão morrer, é proibido enterrá-lo nos cemitérios locais, unicamente por conta de sua fé em Jesus
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“Eu não imagino cristãos sem perseguição, porque sem isso, não seremos fortes. Foi Jesus quem disse que, por causa do nome dele, iriam nos perseguir, odiar e até nos matar. Não podemos mudar isso. [Pelo contrário], somos felizes de ter isso em nossa vida. Queremos apenas ter força para evangelizar e receber as pessoas [que necessitam de apoio]”, afirmou o pastor.

Segundo ele, os primeiros cristãos quirguizes do país foram agredidos e torturados. “Este ano, um ministro quirguiz falou abertamente que o cristianismo era um ataque do ocidente que deveria ser parado e instou a população a lutar contra os cristãos”. Além disso, o pastor revelou que, na escola, as crianças cristãs são separadas das demais “como se fossem doentes”. “Orem por nós, pelo povo quirguiz e pelos cristãos, a fim de que manifestem amor e perdão aos perseguidores”, solicitou.

No Quirguistão, 49º país mais opressor aos cristãos, embora a Constituição do país garanta liberdade religiosa aos cidadãos, há cada vez mais restrições ao direito de se reunir e se expressar. O governo não apoia oficialmente nenhuma religião. No entanto, de acordo com um decreto de maio de 2006, o islamismo e a Igreja Ortodoxa Russa foram reconhecidos como “grupos religiosos tradicionais”.

Nesse mês de outubro, o mesmo pastor estará visitando igrejas brasileiras.Confira a agenda de visitas e não perca esta oportunidade de conhecê-lo e ouvir o seu testemunho!
FontePortas Abertas Brasil

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Cristãos são ameaçados por não negarem a fé em Jesus

Convertidos a Cristo na província Savannakhet, no Laos, enfrentam ordens de despejo de suas vilas por se recusarem a renunciar suas crenças; de acordo com relatos da organização de direitos humanos Human Rights Watch for Lao Religious Freedom (HRWLRF)
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Durante um encontro na vila, em 21 de setembro, autoridades do vilarejo Huay, no distrito de Atsaphangthong, determinaram que os convertidos ao cristianismo deveriam negar sua crença ou enfrentar a expulsão. Autoridades acusaram os cristãos de conduzir cultos coletivos em suas casas. Os cristãos têm rejeitado a ordem, afirmando que o direito deles à liberdade de religião ou crença é garantido pela Constituição do Laos.
No mês passado, um grupo de 50 cristãos, no distrito de Borikan (também conhecido como Bolikanh), província de Bolikhamsai, recebeu um ultimato parecido. A HRWLRF relata que autoridades oficiais da vila Nongdaeng convocaram representantes de 11 famílias para um encontro oficial, no qual as autoridades ordenaram que eles se reconvertessem à sua "crença tradicional" (o animismo*). As autoridades da vila acusaram as famílias de acreditar na religião de uma "força ocidental estrangeira", destrutiva para a nação do Laos.
Informações recebidas pela Christian Solidarity Worldwide (CSW) indicam que esta é uma acusação comum aos cristãos. A eles foram dados três dias para respeitar a ordem, mas os mesmos recusaram, insistindo que a Constituição protege seu direito à liberdade de religião ou crença.

*Animismo: manifestação religiosa imanente a todos os elementos do Cosmos (sol, lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, fungos, vegetais) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite).
FonteCSW
TraduçãoJorge Alberto - ANAJURE

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sepal realiza encontro para filhos de missionários


Sepal realiza encontro para filhos de missionáriosSepal realiza encontro para filhos de missionários
Filhos de missionários estarão se reunindo na Chácara Manaim, em Uberlândia (MG), nos próximos dias 10, 11, 12 e 13 para participarem do IV Encontro Brasileiro de filhos de missionários que é organizado pela Sepal (Servindo Pastores e Líderes).
O projeto tem como objetivo reunir filhos de missionários internacionais para ajudá-los a entender a grande mobilidade cultural que eles passam enquanto acompanham seus pais a evangelizar as mais diferentes culturas.
O projeto do encontro surgiu em 2010 através do (Cuidado Integral do Missionário), em parceria com Flechas, o ministério da WEC Brazil voltado para cuidar de filhos de missionários.
“Queríamos promover um tempo em que FMs (filhos de missionários) de várias agências, igrejas e nacionalidades pudessem se encontrar [...] As palestras e atividades direcionadas podem ajudá-los a entender e processar a vida de alta mobilidade e misturas culturais que têm experimentado”, explica Alicia Macedo, uma das organizadoras do evento.
Por três anos seguidos o encontro aconteceu em Belo Horizonte, mas este ano o local foi alterado para que novas atividades sejam realizadas com os FMs mais jovens. Durante os quatro dias adolescentes e jovens terão palestras e atividades específicas que os ajudarão a compreender melhor o chamado missionário de seus pais.

http://noticias.gospelprime.com.br/iv-encontro-brasileiro-filhos-missionarios/